ALGUMAS DE NOSSAS REDAÇÕES NOTA MÁXIMA EM VESTIBULAR

 

1. TEMA: A INTOLERÂNCIA EM XEQUE (UNIFESP-2011)

 Macabea, Bertoleza, Sem Pernas, Albino. Tais personagens tão conhecidos da literatura brasileira possuem, apesar do tempo e do espaço que os separam, pelo menos uma característica em comum: são vítimas em seus respectivos romances da intolerância da sociedade que os cerca. Eis um mal que tanto na ficção quanto na realidade assola a milhões de pessoas.

A personagem de Clarice Lispector é um claro exemplo da intolerância ante aos nordestinos no Brasil. Nos grandes centros como o Sudeste, geralmente esses migrantes são vistos como o câncer que assola a sociedade. São pessoas, assim como Macabea, que trabalham em subempregos e buscam uma mera sobrevivência. Neste cenário também estrela Bertoleza. A negra é explorada e enganada pelo português João Romão a todo momento.O negro ainda é estigmatizado como ser inferior e tratado como tal. Em nossa sociedade ele parece ainda não ter adquirido, em alguns casos, a carta de alforria.

Sem Pernas, garoto coxo das ruas de Salvador, sofre uma dupla intolerância. Sua deficiência física e o fato de ser um menino de rua faz do capitão da areia ''algo" indesejado pela mesma sociedade que goza de seus carros e roupas da última moda. Não poucas vezes crianças e adultos semelhantes ao personagem de Jorge Amado são totalmente depreciados, vistos como bandidos e são simplesmente descartados socialmente.

Podemos ainda presenciar outro tipo de intolerância: a sexual. Albino, personagem de "O Cortiço ", em diversos momentos é ridicularizado por seu lado homossexual. Trata-se de mais uma das intolerâncias vigentes atualmente. O diferente na sociedade dos iguais é tratado de modo totalmente rebaixado. A organização de movimentos, como a "Parada Gay" em São Paulo, é mais tratada de maneira jocosa do que levada a serio pelos "comuns''.

A intolerância deve ser colocada em xeque. Seja ela social, racial ou sexual não pode adquirir forma e espaço em nossa sociedade. Não queremos que pessoas cortem seu ventre devido à intolerância como fez Bertoleza. Não queremos que pessoas se lancem para a morte igual a Sem Pernas devido à indiferença. Queremos que a sociedade conviva de forma harmoniosa. Queremos que as sociedades atual e futura se espelhem naquela pintada por Tarsila do Amaral em seu quadro "Os operários'', em que indivíduos de diferentes cores e raças se misturam na multidão. Queremos atropelar de uma vez por todas a intolerância para podermos, enfim, colocá-la em xeque e nos tornarmos todos grandes estrelas. (Gustavo Piva - Redação nota máxima no vestibular de MEDICINA da UNIFESP)


 2. CURSO UNIVERSITÁRIO EM OUTRA CIDADE: MOTIVAÇÕES E DESAFIOS (UNESP-2013)

Motivações e Desafios

Muitos estudantes sonham em fazer um curso universitário em outra cidade. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 29% dos alunos saem da sua cidade para estudar. São muitas as motivações que levam os estudantes a sair de sua terra natal, mas há também os desafios.

Há vários fatores que motivam um estudante a procurar uma faculdade em uma cidade diferente daquela em que vive. Os vestibulandos, por exemplo, levam em consideração a qualidade do curso, se possuem uma infraestrutura adequada e professores capacitados; priorizam instituições públicas e as oportunidades que a cidade oferece para a área que se quer atuar. É na universidade que o indivíduo começa a amadurecer ideias e metas para o seu futuro profissional, e a partir disso passa a analisar as possibilidades de crescimento dentro daquela cidade ou em outras. Mas as motivações não são apenas em relação à profissão, mas também as festas, tradições e brincadeiras. Muitas pessoas que passaram pela universidade dizem que foi a melhor época de suas vidas.

Além das motivações, há os desafios. Morar longe dos pais envolve adaptação e responsabilidade, aprender a administrar o dinheiro, a cozinhar, lavar roupa, se locomover por uma cidade totalmente estranha e, principalmente, a lidar com a saudade de casa. Tal sentimento já foi descrito por muitos artistas, dentre eles, Goiás e Belmonte compuseram a letra “Saudade de minha terra”, em que mostram como é difícil lidar com a saudade da terra natal. No entanto, o maior desafio de morar fora de casa é aprender a dividir o espaço com outras pessoas completamente diferentes, que possuem outra cultura, criação e personalidade. A melhor atitude nesta situação é ter disciplina pra cumprir os acordos entre os moradores e tolerância com as diferenças.

Portanto, mesmo com os desafios, como a “Saudade de minha terra”, fazer uma faculdade fora de casa é bom para o indivíduo. Ele amadurece mais rápido, aprende a lidar com responsabilidades, a correr atrás de seu futuro profissional e a compartilhar o espaço com pessoas totalmente diferentes. Todo esse aprendizado será levado por toda à vida. (Jaqueline Doi)

 

3. TEMA: A TOLERÂNCIA DA SOCIEDADE BRASILEIRA À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES (UNESP-2014)

Ideia de feminino

 No ano de 2012 uma média de duas mulheres por hora foram registradas, apenas no sistema único de Saúde, com evidências de violência sexual. Somado a esse fato, pesquisas recentes revelam que 25% dos brasileiros acreditam que meninas com “roupas provocantes” merecem ser atacadas. Apesar de assustador, diante do conceito de civilização, em que a vida em sociedade é harmoniosa, parece evidente a tolerância da sociedade brasileira a esse tipo de crime contra o sexo feminino.

A herança cultural de uma sociedade patriarcal ajuda a explicar esse quadro. A conquista de direitos e espaço político, econômico e profissional, pelas mulheres, é recente e ainda está sendo efetuada. Apesar de já ocuparem a maioria das vagas em universidades, muitos homens ainda projetam nelas o sentimento de propriedade e a função de cuidar da casa e dos filhos.

Entretanto, não deve ser esquecida a contribuição do próprio sexo feminino, contra ele mesmo, para essa situação. Muitas ainda se delegam a exclusiva obrigação de cuidar do lar e têm preconceito com “roupas provocantes”. Desconsideram a possibilidade de um ser humano que exibe sua beleza natural para ser conquistado. Além do desfavor feito por mulheres em programas televisivos, em que resumem a enfeites de atração sexual. Corpos esculturais com rebolares, jogadas de cabelo e sorrisos programados. Perde-se, a beleza, em tanta artificialidade.

Esse quadro inaceitável de agressão contra o “sexo frágil”, e a conformidade com essa situação, tem raízes culturais, no pensamento, muito bem instaladas. Cabe às mulheres consolidar uma nova ideia de si, e então levar esse conceito aos homens, logo, a toda sociedade. São elas que suportam a dor do parto, apesar de ditas delicadas, e somente elas têm o poder de dar a luz a uma nova ideia de feminino. (Gabriel Vilas Boas)